Em pleno século XXI vivemos a era da sustentabilidade, da preservação. Essas palavras deveriam fazer parte do nosso vocabulário, ou melhor, deveríamos colocar em pratica o significado dela.

Sou pescador e amante da natureza. Comecei a pescar na década de 80 e naquela época, para mostrar que a pescaria tinha sido boa, você deveria levar peixe para casa. Não era levar um, dois ou ate três peixes para comer, mas sim dezenas ou centenas deles. Muitos estragavam no freezer e vários iam para a geladeira de amigos, vizinhos, parentes, pois, afinal você tinha levado muito mais peixe que conseguiria comer.

Lembro que naquela época o Pantanal era o destino favorito dos pescadores. Amazônia e Argentina ainda eram destinos pouco conhecidos por muitos. Quase sempre as revistas de pesca tinham o Pantanal e sua fartura de peixes estampadas na capa o que fazia qualquer pescador sonhar com aquele cenário. No mesmo período assistia o programa Pesca e Companhia na TV, apresentado pelo grande pescador Rubinho e já nos era apresentado o PESQUE E SOLTE, mas quem naquela época imaginava a importância dessa pratica.

Pois é, os anos se passaram, a pesca indiscriminada quase não sofreu mudanças e hoje enfrentamos um cenário muito diferente de anos atrás. Se existia fartura de peixes, hoje sofremos com a falta deles, se a chuva era constante, hoje prevalece a seca na maioria dos lugares.

Dentro desse cenário muitos pescadores e pousadas viram a importância do pesque e solte. Perceberam que tendo essa atitude o peixe sempre estaria ali em abundancia e não faltariam pescadores, consequentemente pousadas cheias, guias trabalhando, funcionários sendo contratados e dinheiro movimentando.

Infelizmente nem todos evoluíram nesse período e continuam praticando ou incentivando a pesca indiscriminada. Parece que essa matança de peixes esta enraizada na cultura de muitas pessoas que ainda questionam e desaprovam minha atitude quando mostro a foto de um peixe que pesquei e falo que soltei.

Tenho a sensação que o ser humano enxerga a natureza como algo apenas do presente e não do futuro. Percebo que muitas pessoas tem a necessidade de acabar com tudo agora e não se lembram que também existe o amanhã, as futuras gerações, os filhos, netos, bisnetos…

 

Voltando ao Pantanal, esse era o polo da pesca e sonho de qualquer pescador na década de 80. Naquela época cada pescador podia levar para casa 30Kg mais um exemplar, mas era normal passar pela fiscalização pescadores com 50Kg ou mais e dois ou três exemplares, afinal de contas eles estavam levando dinheiro para o estado e para as pessoas que ali trabalhavam. Isso durou por alguns anos e hoje o Pantanal paga o preço pela “vista grossa” estando longe de ser o destino favorito de muitos pescadores, pois praticamente não existem mais peixes em fartura ou grandes troféus.

Não sou radical em falar que o pescador esta proibido de levar peixe para casa, pelo contrario, comer peixe e muito bom,  mas tudo dentro de uma conscientização. Sei também que o peixe é o meio de sustento de varias famílias ribeirinhas. Nesse caso porque não criar meios para essas famílias desenvolverem a pesca sustentável? Criar espaços destinados ao criatório de espécies em tanques? Enfim, temos como diminuir ou ate acabar com a pesca predatória, basta ter boa vontade.

O que eu quero mostrar aqui é a importância da preservação e do pesque e solte. Temos uma fiscalização carente que praticamente não recebe auxilio para desempenhar o seu papel. Temos leis muito antigas que não penalizam quem comete crime, então é preciso que cada um faça a sua parte, tanto o pescador profissional quanto o de final de semana. Se cada um tiver essa consciência, com certeza mudaremos o cenário, não precisaremos ir cada vez mais longe e gastar mais dinheiro para fazer a pescaria dos nossos sonhos, pois os peixes estarão ali, do nosso lado, habitando nossos rios, lagos e mares. Fica a dica!

Crédito: Ronen Suxberger Cupertino