Eles são os reis dos mangues, e não por acaso: sua pesca é comparável a um jogo de xadrez, sendo necessário estratégias, técnicas e domínios de uma série de variáveis ambientais para conquistar essa realeza.

Os robalos, têm corpo alongado e moderadamente comprimido, com perfil dorsal ligeiramente convexo. A cabeça é grande e os olhos também se destacam. Mais é a boca, com abertura ampla, prognata e com a mandíbula nitidamente bem mais longa que a maxila que chama atenção nesses predadores. As placas destingiras desenvolvidas e muito abrasivas cortam linhas com facilidade. A primeira nadadeira dorsal, de raios duros e formato triangular, é muito semelhante à segunda dorsal, ramosa. A nadadeira peitoral é pequena, enquanto as pélvicas e a anal são maiores, esta última com o segundo raio transformado em um longo e grosso espinho. A coloração geral dos robalos é escura no dorso, prateada nos flancos e branca no ventre. Uma grossa linha longitudinal negra ou castanho-escura estende-se da cabeça até os raios medianos da nadadeira caudal sobre a série das escamas da linha lateral, que nestes peixes é bastante alongada. No robalo-flecha, as nadadeiras inferiores do corpo e a caudal são ligeiramente amareladas. Peixes menores e crustáceos são os principais itens de sua dieta.

Características
Distribuição: No Atlântico Ocidental, da Flórida (EUA) ao sul do Brasil.
Porte: Mais de 1,5 metros e 25 quilos. (C. undecimalis) e 80 centímetros e 6 quilos ( C.parallelus).
Hábitat: Gostam das regiões de estuários e manguezais, inclusive em ecossistemas de água doce como rios e lagoas marginais. Também frequentam praias arenosas rasas e tombo, além de costões rochosos e parcéis. Formam cardumes mais numerosos de peixes pequenos; já os grandes exemplares se encardumam em menor quantidade.
Melhor Época: O ano todo, com ênfase para o período mais quente.

Os Equipamentos
A pesca de robalos com iscas artificiais reúne uma verdadeira legião de aficionados, seja ela praticada em galhadas de mangue e outras estruturas aparentes ou próximo ao fundo, sempre requerendo técnica e sensibilidade, inclusive em relação aos equipamentos. Encontrar uma pedra isolada, um drop-off em um rio, canal ou baía ou uma área com fundo de cascalhos, entre outras referências submersas, quase sempre dá a certeza de ações pescando-se na maré certa. Os peixes geralmente se posicionam no contra fluxo da maré, atrás de estrutura, esperando a passagem de presas desavisadas pelo local.
A pesca com iscas naturais também é muito praticada, tanto na modalidade de arremesso como na pesca de fundo. As varas longas conhecidas como “robaleiras” são bastante usadas na região Sudeste na prática da pesca de rodada em canais e rios. Independentemente da modalidade, quem pesca robalos entende sua magnetismo e a importância de estudar as influências da maré, das condições atmosféricas e da água e da época do ano para chegar ao sucesso.

Pesca de arremesso
Buscar os robalos debaixo de galhadas e junto às raízes de mangue exige habilidade nos arremessos, e o uso de equipamento adequado facilita a obtenção da máxima precisão, o que certamente resultará em mais ataques.

Varas: De 5’5’’ a 6 pés, classe 14 a 20 libras, com ação moderada a rápida.
Carretilhas e Molinetes: De categoria média, com capacidade para 100 metros da linha escolhida. Carretilhas com recolhimento mais lento, abaixo de 6:1, são indicadas para trabalhos mais pausados, como os comumente empregados com os sticks.
Linhas: De mono ou multifilamento com resistência entre 16 a 25 libras (respectivamente, espessura aproximada de 0,30 a 0,40 mm e 0,18 a 0,23 mm).
Líderes: De fluorcarbono, entre 0,35 a 0,60 mm. O náilon pode ser usado com iscas com ação floating de menor peso, por flutuar e interferir menos em seu trabalho.
Iscas Artificiais: Plugs de superfície e meia-água entre 5 e 13 centímetros, além de iscas plásticas (soft baits) como Camarões artificiais e shads com pouco ou nenhum peso.
Iscas Naturais: Camarões e pequenos peixes vivos, arremessados com auxilio de boia de arremesso e chicote de 40 centímetros a 1 metro nas galhadas (ou às vezes somente com seu próprio peso) ou com pequenas chumbadas (10 a 30 gramas) na pesca ancorada. Anzóis tipo wide gap 2 a 3/0.

Pesca de fundo com iscas artificiais

Aqui se incluem a pesca com pequenos metal jigs e a pesca com iscas plásticas lastreadas, ou seja, acopladas a jig heads. As mais usadas são os camarões artificiais e shads.

Varas: De 5’6’’ a 6 pés, classe 14 a 20 libras e ação moderada para metal jigs e de 6 pés a 6’6’’, classe 17 a 25 libras para soft baits lastreadas.
Carretilhas e Molinetes: De categoria média (molinetes classe 1 500 a 2 000), com capacidade para 100 metros da linha usada. Carretilhas com elevada relação de recolhimento (acima de 7:1) são as mais recomendadas, por eliminarem mais rapidamente as folgas da linha, mantendo o contato com as iscas constante.
Linhas: De multifilamento, com resistência de 20 a 30 libras.
Líderes: De fluorcarbono, com 0,40 a 0,55 mm de espessura e entre 2 metros de comprimento.
Iscas: Metal Jigs de 15 a 30 gramas e iscas plásticas (camarões e shads) entre 5 e 14 centímetros acoplados a jig heads de 3 a 14 gramas, dependendo da profundidade e da força da maré. Todas em cores e formatos diversos.

Pesca de rodada com varas robaleiras
Além de possibilitar que a linha fique mais distante da embarcação, os conjuntos montados com esses longos e flexíveis caniços interferem pouco no nado da isca e ainda opõem pouco resistência quando o peixe a abocanha. Podem ser usados em canais, rios, baías e também na costeira.

Varas: Específicas para a modalidade, com 3,6 a 5,4 metros de comprimento. As ponteiras números 2 e 3 são as mais utilizadas.

Molinetes: De categoria média, classe 2 500 a 4 000. As carretilhas não são usadas porque, devido à posição dos passadores (para cima), a linha entra em contato com o corpo da vara.
Linhas: De monofilamento, cuja elasticidade confere maior naturalidade à apresentação da isca e opõe menor resistência quando o peixe abocanha a isca.
Líderes (Chicotes): De fluorcarbono, com espessura de 0,45 a 0,60 mm e até 1 metro de comprimento, atados após a linha principal (união feita por meio de girador).
Anzóis: Tipo wide gap, tamanho 2 e 3/0.
Chumbadas: Tipo oliva ou redonda, com 30 a 60 gramas.
Iscas: Principalmente camarões vivos, além de peixes com sardinhas, manjubas e amborés, também vivos.

Pesca com mosca
O robalo está entre os mais esportivos e técnicos peixes marinhos que podem ser pescados com equipamento de fly. Além do entendimento de todos os fatores importantes para sua captura – marés, hábitos alimentares, pressão atmosférica etc -, exige destreza nos arremessos sob as galhadas e na reprodução fiel de seus alimentos preferidos no momento.

Varas: De numeração #6 a #8, com 9 pés e ação moderada a rápida. Modelos mais curtos podem ser utilizados em rios estreitos.
Carretilhas: Compatíveis às varas usadas, de preferência com sistema de fricção.
Linhas: Flutuantes ou do tipo sinking, com taxas variadas de afundamento de acordo com a profundidade do local, a força da maré e o comprimento do peixe.
Líderes: De naílon ou fluorcarbono, com comprimento entre 2,5 a 3 metros para linhas e iscas de superfície e 1,5 a 2 metros para linhas sinking. Um curto shock leader de fluorcarbono, com 15 a 20 centímetros e 0,40 a 0,50 mm de espessura, é fundamental.
Iscas: Poppers, buggers e streamers variados, reproduzindo peixes e Camarões.

Créditos: Bíblia do Pescador